Está no ar os Anais da VI Jornadas do LEGH
A VI Jornadas do LEGH aconteceu entre os dias 29 e 31 de outubro de 2025, na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis.
Foi uma programação repleta de atividades: seis Mesas Redondas, seis Minicursos, duas Oficinas e 17 Simpósios Temáticos, sendo nove presenciais e oito on-line. Ao todo, foram aceitos 158 trabalhos, que foram apresentados em Simpósios Temáticos. Das comunicações orais, resultaram artigos que constam organizados nos Anais da VI Jornadas do LEGH.
A publicação, organizada por Morgani Guzzo e Julia Schuster Strack, reúne 34 artigos enviados para publicação. São as reflexões e pesquisas finalizadas e em andamento, de pesquisadoras jovens, que estão começando a carreira com iniciação científica ou trabalho de conclusão de curso, até pesquisadoras mais experientes, pós-doutoras e docentes de várias universidades do país.
O volume está organizado em cinco sessões temáticas que perpassam diferentes campos do saber, sob uma perspectiva feminista interseccional.
A Sessão 1, intitulada “Gênero, política, lutas das mulheres e justiça reprodutiva” reúne trabalhos que analisam a trajetória das mulheres como sujeitos políticos, as barreiras à representação institucional e estratégias de resistência. A sessão também aborda temas urgentes como a violência política de gênero, a invisibilidade das mulheres pescadoras, a experiência da maternidade no contexto migratório e o ativismo pela dignidade menstrual.
A Sessão 2, “Violências de gênero, misoginia e interseccionalidades” é composta por textos que analisam as subjetividades masculinas e o crescimento de discursos de ódio, como o fenômeno incel. Discute também as limitações e potencialidades da Lei Maria da Penha sob uma lente interseccional, o papel das instituições na manutenção de normas cisheteronormativas e a historicidade do sexismo no pensamento jurídico brasileiro.
A Sessão 3 “Memória, gênero e interseccionalidade nos acervos, mídia e arte” traz textos que analisam a dimensão de gênero em diferentes espaços, gênero e manifestações culturais e de memória. Há pesquisas sobre museus, as representações femininas na imprensa histórica e a produção artística como espaço de subjetivação. Inclui reflexões sobre o ativismo visual durante a epidemia de AIDS, a literatura testemunhal e as prescrições de feminilidade na mídia do século XX.
Na Sessão 4 “Gênero e Educação” estão textos que debatem as tensões contemporâneas entre família e escola, o pânico moral em torno do fantasma da “ideologia de gênero” e as ofensivas legislativas que buscam restringir o debate sobre diversidade no ambiente escolar.
A Sessão 5 “Gênero e ciência: presenças e barreiras” apresenta textos que analisam os desafios de mulheres em cargos de liderança nas universidades, o processo histórico de feminização das profissões de ensino e os entraves à presença feminina em áreas como as Ciências Exatas. Artigos que destacam iniciativas de levantamento de dados sobre gênero e ciência, numa perspectiva interseccional e transdisciplinar, ficando em mecanismos de enfrentamento às violências nas universidades na importância de uma comunicação científica feminista encerram a coletânea.
Edição comemorativa de 20 anos do LEGH
A sexta edição, comemorativa de 20 anos do LEGH, foi mais que um evento científico, foi um momento de encontros e reencontros entre pesquisadoras que se formaram no LEGH e aquelas que continuam construindo esse laboratório que faz escola Brasil afora.
Com o tema central “Misoginia ontem e hoje: ameaças e resistências”, a VI Jornadas do LEGH ao mesmo tempo em que celebrou a trajetória do laboratório, consolidou duas décadas de excelência acadêmica e militância intelectual fomentada pelo LEGH e pelos estudos de gênero e feminismos brasileiros.
Os Anais reúnem estudos que apresentam um diagnóstico crítico sobre como processos históricos de misoginia e exclusão se atualizam na contemporaneidade, em vários setores sociais. Mas, além disso, as pesquisas aqui apresentadas também demonstram as resistências e possibilidades de transformações em andamento, inclusive propostas por uma ciência comprometida com a justiça social, a equidade de gênero e o fim de todas as formas de opressão.
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